A História

mao-hinduTal como em outros temas semelhantes, perde-se no tempo a origem da Quirologia. Mesmo quando aparecem referências históricas à origem, estas baseiam-se em registos encontrados e não garantem que a história não seja bem mais antiga, tendo-se perdido na noite dos tempos, outros registos e memórias.

Sabe-se que já era praticada na Índia há mais de 5000 anos, onde aparecem os primeiros registos e ilustrações. Além da Índia, começou igualmente a ser praticada na China, Tibete Pérsia, Mesopotâmia e Egipto. Segundo as lendas, do Egipto a quirologia foi levada para a Grécia por Alexandre Magno, que encontrou uma obra num altar religioso. Aristóteles fala sobre a Quirologia no seu livro História Animalium e ele mesmo dizia que a mão é o “principal órgão” do corpo. Há registos que referem, que também Júlio César acreditava ter tanta habilidade para decifrar palmas da mão, e que julgava seus homens pela aparência de suas mãos. Mais tarde, tal como outras ciências ancestrais, este conhecimento chegou até aos árabes, que registam também vários trabalhos nesta matéria.

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Detalhe da capa do livro “Ludicrum chiromanticum” (Jena, 1661)

Na Europa, os manuscritos mais antigos, totalmente dedicado a quirologia, remontam ao início do século XIV. Neles, a validade do conteúdo e nomenclaturas são em tudo semelhantes às que ainda hoje são usadas. Estes textos antigos são dedicados, em especial, às principais linhas da mão, que agora designamos pelos nomes de “linha “da vida, “linha da cabeça” e “linha do coração”. Só mais tarde, no século XV, é que os “montes”, os “símbolos” e alusões às proporções gerais da mão e da forma das unhas, aparecem.

A primeira obra publicada no Ocidente, surgiu no século XV, escrito por Johann Harlieb: “Die Kunst Chiromantie” Apesar das proibições da altura, Paracelso (1400-1541) inicia os seus estudos em quirologia, e acaba por escrever livros sobre o tema que acabam por chegar a duas universidades na Alemanha.

Nos dois séculos seguintes a quirologia espalhou-se pela Europa, atraindo o interesse de estudiosos ao mesmo nível da alquimia e astrologia. No entanto, enquanto as duas últimas disciplinas, sob o impulso do racionalismo, criaram dois ramos da ciência, a química e a astronomia, a quirologia manteve o seu lado mais esotérico e popular. Teve de esperar até ao Séc XIX para ganhar, lentamente, a atenção e credibilidade científica.

Science de la main - S. Darpentigny–1856 (2ª ed)

“Science de la main” – S. Darpentigny – 1856 (2ª ed)

Por volta de 1800 as consultas de quirologia eram já sofisticadas e tinham como defensores famosos, como napoleão Bonaparte, e os escritores franceses Honoré de Balzac e Alexandre Dumas.

No século XIX assistiu-se a um período de expansão da quirologia na Europa, com várias obras famosas publicadas e, principalmente, graças ao trabalho de dois pesquisadores franceses – o famoso Capitão Casimir D’Arpentigny, que em 1856 publicou a obra “A Ciência da Mão” e o pintor francês Adrien Adolphe Desbarolles, o mais famoso Quirologo da época, que publicou o clássico “Chiromancie nouvelle em harmonie avec la La phrénologie et la physiognomonie”. É apenas nesta época, que se começa a escapar da fase de campo eminentemente prático e superstição para alcançar a fase científica que actualmente a caracteriza. Estes dois homens, com as inovações introduzidas na quirologia, que influenciaram os investigadores que se lhes seguiram, são considerados os pais da quirologia moderna.

Em 1866 nasce na Irlanda aquele que foi considerado o quirólogo de maior sucesso na Europa e América: O conde Louis Hammond, que ficou conhecido como o “Cheiro”. Cheiro divulgou e praticou a quirologia com enorme mestria, realizando leituras e previsões precisas, como a da morte, em alto mar, de um importante militar do exército britânico, Horátio Kitchener, 22 anos antes. Ou a previsão da ruína que se abateu sobre o escritor irlandês Oscar Wilde, preso por crime de homossexualidade.

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Conde Louis Hammond – Cheiro

Depois de ter viajado e estudado quirologia na Índia, com os maiores mestres da época, Cheiro começou a praticar quirologia em Londres e na América, tendo tido como clientes os homens mais famosos da época, incluindo Mark Twain, W. T. Stead, Sarah Bernhardt, Mata Hari, Oscar Wilde,Grover Cleveland, Thomas Edison, o Prince of Wales, General Kitchener, William Ewart Gladstone, e Joseph Chamberlain. Cheiro obteve tal sucesso e fama que, mesmo os que não acreditavam na leitura das mãos, o consultavam para obter uma consulta. O próprio Mark Twain, céptico, escreveu a propósito deste encontro “Ele (Cheiro) expôs o meu carácter a mim, com uma precisão humilhante”.

Considera-se que além de excelente quirólogo, Cheiro possuía o dom da vidência, o que lhe permitia fazer previsões com enorme precisão, difíceis de obter apenas com a leitura das mãos.
Em 1883, o Conde Saint-Germain (fundador da escola de Quirologia em Chicago) publica o seu famoso livro Handbook of Palmistry.
Em 1900 William G. Benham criou uma metodologia científica que testava na prática os conhecimentos tradicionais, analisando centenas de mãos e anotado os resultados com método e critério científico, “mostrando que os resultados da quirologia eram dignos da atenção das melhores mentes”.

Já no século XX, a psicóloga Charlotte Wolf elabora um grande trabalho sobre os estudos do carácter humano e a sua ligação às mãos.  Em 1944, Julius Spier psicoquirólogo publica a sua obra Hands of Children e realiza conferências na Universidade de Zurique onde o famoso psiquiatra Carl Jung, acaba por escrever o prefácio desta obra, leitura obrigatória até hoje, para os médicos, psiquiatras, psicólogos e criminalistas que se dedicam ao assunto.

quiromanciaEnfim, muitos sãos os casos, no Séc XX, de importantes e sérios trabalhos realizados e publicados por alguns elementos da sociedade científica, assim como por amantes e estudiosos de quirologia que com os seus trabalhos tem contribuído igualmente para o desenvolvimento e credibilização desta “ciência”

Acredito que a Quirologia irá obter em breve uma aceitação generalizada da classe científica, tirando dela todo o proveito e benefícios, em matéria de conhecimento e desenvolvimento pessoal, alinhamento com os princípios básicos da existência, antecipação e cuidados a ter com acontecimentos e possibilidades futuras, percepção do potencial latente e conhecimento antecipado de acontecimentos futuros que afectam a nossa vida.

O estudo da quirologia é, sem dúvida, um dos mais cativantes, pois abre-nos as portas de um novo universo, ensinando-nos factos desconhecidos até agora. E o que o torna mais apaixonante ainda é o facto de as suas revelações se relacionarem directamente com o nosso ser e existência. A nossa saúde, felicidade, aptidões e competências, os nossos defeitos e as probabilidades de êxito. Ou seja, numa palavra, a nossa vida, passado e futuro.

Este conhecimento permite-nos também algum poder, pois podemos “ler” na mão do outro questões importantes que, de momento, lhe são obscuras. Saber se tal colaborador é de confiança, se tem perfil para liderar uma equipa ou projecto, se tal pessoa tem perfil de mentiroso. Também a quirologia nos permitirá perceber qual a possibilidade de uma relação dar certa, qual a afinidade psicológica e sexual, ou conhecer o futuro carácter, potencial e robustez física e psicológica de um filho, muito antes deste se manifestar, ajudando-nos assim a aceita-lo, percebê-lo e a relacionarmo-nos com maior sucesso e harmonia.